Disputa pelo Senado vira principal desafio nas chapas de João Campos e Raquel Lyra em Pernambuco

Com a corrida pelo Governo de Pernambuco começando a ganhar contornos mais definidos, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD) já enfrentam um dos desafios mais sensíveis do processo eleitoral de 2026: a montagem da chapa majoritária, especialmente no que diz respeito às vagas para o Senado Federal.

No campo liderado por João Campos, o problema não é a falta, mas o excesso de pretendentes. Pelo menos três nomes disputam espaço por uma mesma vaga ao Senado: Miguel Coelho (União Brasil), Marília Arraes (Solidariedade) e Silvio Costa Filho (Republicanos). Isso porque, em tese, a outra vaga já estaria reservada ao senador Humberto Costa (PT), aliado estratégico do campo progressista e elo importante na relação com o governo federal.

Para ampliar ainda mais a complexidade do cenário, existe a possibilidade de uma composição com o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), o que aumentaria a pressão sobre João Campos para acomodar interesses e evitar rupturas dentro de sua base aliada.

Se de um lado João Campos precisa administrar expectativas e conter disputas internas, do outro Raquel Lyra enfrenta uma situação oposta: a escassez de nomes dispostos a integrar sua chapa ao Senado. Até o momento, apenas o senador Fernando Dueire (MDB) tem demonstrado entusiasmo público para compor o projeto da governadora. Já Eduardo da Fonte, embora seja considerado o nome mais robusto da base governista para a disputa senatorial, ainda não sinalizou oficialmente intenção de concorrer pela chapa liderada por Raquel.

Outro foco de tensão envolve o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e pré-candidato ao Senado, Anderson Ferreira (PL). Apesar de já ter declarado fidelidade política à governadora, o dirigente liberal observa com ressalvas a aproximação de Raquel Lyra com o lulismo, inclusive diante da possibilidade de composição com Humberto Costa.

Diante desse cenário, tanto João Campos quanto Raquel Lyra terão pela frente um verdadeiro “abacaxi político” para descascar. A definição da chapa majoritária, sobretudo no Senado, exigirá habilidade, concessões e muito jogo de cintura para evitar fissuras internas e garantir competitividade eleitoral nas eleições de 2026.