O clima político em Iguaraci esquentou de vez após denúncias graves feitas por vereadores da própria base do governo municipal contra a gestão do prefeito Doutor Pedro Alves. As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Cidade Alerta, da Rádio Cidade FM, ao comunicador Fabrício Ferreira.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Tenente Viana, afirmou que pretende acionar o Ministério Público para investigar possíveis pagamentos irregulares e supersalários dentro da gestão. Entre os pontos mais polêmicos, ele destacou a situação da procuradora do município, Sinara Maranhão.
Segundo o parlamentar, a procuradora não comparece presencialmente ao município desde outubro, mesmo havendo uma legislação municipal — Lei nº 573/2024 — que exige carga horária de 40 horas semanais. A justificativa apresentada seria a possibilidade de atuação em regime de home office, o que, para o vereador, é “imoral”. Ele informou ainda que já oficializou questionamentos à Prefeitura, mas não obteve resposta.
A denúncia ganhou reforço da vereadora Bruna Torres (PSD), também integrante da base governista, que confirmou a ausência da procuradora no município e cobrou explicações.
Outro ponto levantado foi a existência de servidores e prestadores de serviço com salários elevados. De acordo com Tenente Viana, há casos de trabalhadores recebendo cerca de R$ 11 mil, além de familiares com vínculos e remunerações próximas de R$ 3 mil. Os nomes não foram citados, mas o vereador classificou a situação como grave.
A instabilidade na Secretaria de Administração também entrou na pauta. Em pouco mais de um ano de gestão, três nomes já passaram pela pasta: o vice-prefeito Marquinhos Melo, que deixou o cargo após conflitos internos; o advogado Luiz Henrique, que alegou aprovação em concurso público; além de outro gestor anterior. Até o momento, não há definição pública sobre um novo titular.
Ainda durante a entrevista, foram citadas dificuldades de acesso a informações por parte do Legislativo. O presidente da Câmara afirmou ter solicitado, ainda em fevereiro, o envio de livro de ponto da Secretaria de Educação, sem retorno até agora.
Na área da saúde, a vereadora Bruna Torres denunciou a falta de transparência em relação à reforma da Casa de Apoio no Recife. Segundo ela, um ofício enviado em outubro de 2025 solicitando detalhes sobre valores e empresa responsável pela obra segue sem resposta.
Também surgiram denúncias envolvendo baixos pagamentos a prestadores de serviço. Um ouvinte relatou ter trabalhado entre março e abril recebendo apenas R$ 400 mensais, atuando como auxiliar de limpeza.
Outro ponto que gerou repercussão foi uma fala atribuída à procuradora Sinara Maranhão durante reunião na Câmara. Questionada sobre sua remuneração — que, segundo vereadores, gira em torno de R$ 15 mil somando vínculos — ela teria afirmado: “para o que eu faço, eu ganho muito pouco”.
Diante da série de denúncias, os parlamentares afirmam que estão tentando agir dentro da legalidade, mas não descartam levar o caso ao Ministério Público caso as respostas não sejam apresentadas.
Agora, a expectativa recai sobre o posicionamento do prefeito Doutor Pedro Alves, da Secretaria de Educação e da Secretaria de Saúde, que ainda não se manifestaram oficialmente sobre as acusações.